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- Mas afinal de contas, Emília, que é que você é?
Emília levantou para o ar aquele implicante narizinho de retrós e respondeu:
- Sou a Independência ou Morte.

Memórias da Emília, Monteiro Lobato  (via b-a-n-d-o-l-i-m)

(1:11pm)
Talvez eu queira demais. Não só de mim, entende? Dos outros também. Espero que descubram, por trás dos meus disfarces, toda a coisa. Porque as nossas angústias usam máscaras. E eu tenho uma mania de ser valente, dá até medo. O mundo entra na mochila e ela fica mais pesada que rocha. Aí brinco de tartaruga e quero levar tudo dentro. Nem eu me seguro, ora. Não sei porque insisto. Às vezes não dá, tenho que aceitar isso. Não é vergonhoso, nem fraco, é que não dá. Porque não. Mas, você sabe, não aceito essas respostas.

— Clarissa Corrêa (via se-deixar)

(12:55pm)
Se ser adulto é abafar o riso em público, é deixar de falar o que pensa por não ser o momento adequado, é deixar de brigar pelo último pedaço, lamento te decepcionar. Gente grande é muito limitada. Eu não cresci, minhas ideias é que ficaram altas.

— Renata Fagundes.   (via pra-quem-amou)

(12:43pm)
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Então me despedi sem dizer adeus
Mesmo sem querer
Arrumei minhas trouxas sentimentais
E fui
Que fique bem claro
Não é o melhor para mim
E nem para nós
É bom para você que não merece
Mais um sentimental em sua vida.
 
Se ao menos eu gostasse de Los Hermanos…
(12:40pm)
Chega uma hora que procuramos por coisas concretas, incertezas não agradam mais.

Larissa  (via afogue-seemmim)

(4:25pm)
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Não me importo com a sua letra, gosto quando você me escreve. Não gosto de poesia, mas tenho lágrimas antigas nos olhos das vezes que você recitou Drummond pra mim. Não gosto de mpb, mas tínhamos como fundo musical Ana Carolina no nosso primeiro beijo. Não gosto de acordar cedo, mas ando de madrugada na beira da praia com você. Não gosto de Chaplin, mas as frases dele soam tão bonitas no som da tua voz, depois dos sorrisos que você me dá. Não gosto de dividir a cama, mas quando você dorme aqui, divido o copo de água e as meias. Não gosto de suspense, mas fico arrepiada de te ver fechar os olhos e tentar encontrar a minha boca.
(4:17pm)
Louca.
Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei pela primeira vez: E se eu ficasse louca? Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa soada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser.
E se eu ficasse louca? Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas brancas PP. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Para onde iriam os materiais, as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigos? Louco tem livros plastificados? Louco começa e não para mais até acabar?
Louca uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense na vida. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurando.
Não caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não abrace sem fim porquê é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível, mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um divertimento. Sempre um medo escondido, mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada, mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando: “Olha, uma menina comendo Bis.

Mariana Barros (via encanta-te)

(4:13pm)